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Campanha Nem Um Poço a Mais faz ato em Romaria marítima, em Vitória (ES)

4Uma plataforma petrolífera tomou o território pesqueiro da Baía de Vitória, no Espírito Santo, no último dia 3 de julho de 2016. A ação foi um protesto irreverente realizado pela Campanha Nem Um Poço a Mais para questionar a invasão de territórios pesqueiros pelas empresas exploradoras de petróleo no Espírito Santo, e ocorreu durante a Procissão Marítima em homenagem a São Pedro, em Vitória, Espírito Santo.

A procissão faz parte das comemorações da Festa de São Pedro que anualmente fecha suas atividades com a navegação de dezenas de barcos alegóricos na Baía de Vitória em alusão ao santo padroeiro dos pescadores, e quem passou por lá se surpreendeu ao ver a P-666: um barco paramentado com alegorias de petroleiras, com ” empresários e capangas” a bordo empunhando suas maletas e armas em defesa da sociedade petroleira.

Não houve quem ficasse indiferente a plataforma criada pelo artista plástico Renato Filho para a Campanha Nem Um Poço a Mais. Tanto os “empresários”, quanto seus “capangas” encenaram durante todo o trajeto a expulsão de qualquer um que se aproximasse do “seu território”, tal como é feito nos territórios pesqueiros invadidos por petroleiras em todo o mundo. Alí, diziam os “empresários”, não tinha lugar para a pesca nem para o pescador, fora todos!

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Em troca, o que se viu foi a resposta dos pescadores pedindo paz, respeito e o fim da expansão petroleira em seus territórios. Um segundo barco da campanha com pescadores, pescadoras e crianças protestaram contra a plataforma cantando e gritando Nem Um Poço a Mais! Salve São Pedro, estava cumprida a missão!

Neste contexto de protesto e encenação de uma situação real, todos os pescadores, turistas, velejadores, esportistas e o público que passou pela procissão por mar ou por terra tiveram a oportunidade de assistir ao ato que teve o objetivo principal de alertar a sociedade sobre os impactos do petróleo, mas também de saldar os pescadores e prestar solidariedade e apoio ao trabalho dos povos da pesca e aos homens e mulheres que têm seu território invadido pelas exploradoras de petróleo.

Poluem o Espírito Santo, as principais empresas petroleiras: Shell, Statoil, Total, Sinopec, Petrobras. Todas elas estiveram representadas dentro do barco-plataforma, demonstrando seu poderio, suas promessas vazias e sua apropriação de territórios tradicionais e todas elas receberam as merecidas vaias de quem passou por alí. Salve São Pedro! Basta de expansão petroleira!

Encontro Metropolitano

Realizado na segunda maior província petrolífera do País, o Espírito Santo, o ato foi também o fechamento do I Encontro Norte Capixaba de Educação Popular “Territórios de utopias e utopias de territórios” que reuniu pescadores e pescadoras, jornalistas, artistas, pesquisadores e homens e mulheres do meio urbano para discutirem o impacto da exploração e do uso dos derivados do petróleo na cidade.

Explorado há mais de 59 anos em terra, no mar, em águas rasas, profundas e ultraprofundas, o petróleo deixa marcas profundas na cidade como é o caso do trânsito caótico, da geração de lixo, do consumo irresponsável, sem que paremos para pensar qual o limite desta exploração e o que ela vem gerando não apenas nas cidades, mas também nos territórios onde ocorrem.

No estado do Espírito Santo, a Petrobras iniciou a exploração de petróleo em 1973, mas muito antes disso já há registro de que a terra vinha sendo explodida por empresas exploradoras de petróleo no norte do Estado. Com um número de poços cada vez maior e localizados em sua maioria no norte do Estado, grande parte desta exploração se concentra em territórios quilombolas, indígenas e pesqueiros do Estado gerando impactos incalculáveis a vida e a economia local.

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