Seguem aqui as artes premiadas do edital de arte antipetroleira, da Campanha “Nem um poço a mais!” 

Que ganhem as ruas e comunidades. Os murais das escolas, igrejas e hospitais, o transporte público, os mercados, os postes, os muros, as casas. Basta de exploração da natureza e do trabalho. Basta de expansão da indústria petroleira.

Artes Visuais


Para cada um, milhões de copos de petróleo. 

Artista: Mar Milagres Mattiello.

Este vídeo é um apelo punk-rock em prol da natureza. Música por Antonio Henrique Viana e banda Últimos Humanos, edição por Alex Nunes e  Mar Milagres Mattiello.

Petróleo é morte

Artista: Edji Elisa Mendonça Dias


Sou Edji, um artivista trans de Sergipe. Uso das ilustrações, charges, tirinhas, grafitti e HQ tanto para expressar o que há de mais profundo em mim, quanto para militar contra a exploração da natureza e dos seres humanos e contra as opressões, pois são coisas indissociáveis.

Essa obra foi pensada com base na conjuntura sergipana, onde a iminência de uma nova frente de exploração de petróleo e gás chamada SEAP (Sergipe Águas Profundas) tem aberto ainda mais feridas muito antigas no estado, principalmente contra as comunidades tradicionais.

Instagram: @rgcpfporfavor 

Na boca do bagre, o grito do oceano: Petróleo não é mar!

Artista: Monica Nitz

Nos últimos anos venho pesquisando o crime e os atingidos pela lama tóxica da Samarco — o adoecimento e a morte do Rio Doce, de seus peixes e das pessoas. Acompanhar tamanha destruição foi doloroso, mas necessário para dar visibilidade à luta e à justiça. Percebi então essa dor transbordar na minha pintura. Em minha prática de arte abstrata, uma mancha insistiu em se tornar peixe — assim nasceu essa pintura antipetroleira “Na boca do bagre, o grito do oceano: Petróleo não é mar!”

Instagram: https://www.instagram.com/monicanitz/  e https://www.instagram.com/monicanitz.art/

 

Destemidos como os caranguejos do manguezal, protejam nossa cambada!

 

Artista: Vanessa Oliveira Lima

Atuo como artista visual e percebo a natureza como presença marcante para meu fazer artístico, na pintura ao ar livre e na pintura digital mostro meu olhar sobre as cenas vividas e imaginadas. A natureza é um grande interesse para mim e por isso tão presente em meus projetos.

Instagram: https://www.instagram.com/vanessa_lima_____?igsh=a3R6bjd2d2dydXJy&utm_source=qr

Despetrolificação da economia

 

Artista: Kons, 2024

A inspiração da obra Despetrolificação da economia, surgiu durante a leitura do livro Revolução da Moda organizado por Eloísa Artuso e Fernanda Simon, editado pela Reviver e Fashion Revolution Brasil.

A indústria da moda continua sendo uma das mais poluentes. Dentre 200 grandes marcas mundiais analisadas, apenas 6% informam meta para energia renovável, sendo que apenas 7% informam o custo de poluição do carbono e apenas 1% assume compromisso com o decrescimento (Fashion Revolution. What fuels fashion? An energy and decarbonisation spotlight. 2025 Edition, pp. 45,11, 37).

A técnica em rolos de papel higiênico (grampeados e depois pintados) já venho experimentando há alguns anos. Reflete em parte uma crítica de minha cumplicidade com a indústria de papel higiênico que cultiva eucaliptos em monocultura, para além dos processos químicos envolvidos em sua produção. Somos cúmplices em grande parte daquilo que acusamos. A questão é inventar maneiras de viver.

Esta arte completou-se com leituras posteriores sobre os problemas ecológicos da indústria da moda, cujos temas escritos em inglês também estão se tornando obras de arte (músicas e camisetas).

Kons, 2024

Despetrolificação da economia

Desenho e colagem em rolos de papel higiênico

Acrílica, lápis de cor, canetinha

39 cm x 28 cm

@affektuell

Mar livre: respeitem a pesca!

Artista: Edinilson Gomes

Nascido em Bom Jesus do Itabapoana, interior do Rio de Janeiro, é filho e neto de costureiras. Há mais de 15 anos, dedica-se a pesquisar os impactos da exploração predatória do rio Itabapoana sobre as comunidades ribeirinhas, especialmente os pescadores artesanais. Em Mar livre: respeitem a pesca!, combina elementos de sua pesquisa acadêmica com as tradicionais técnicas da arpillera — arte marcada pela luta e pela resistência. 

Instagram: @oitabapoanense

Do outro lado, envolvimento.

Artista: Geanna Abreu

Os que  cuidam da mãe terra, vivem em harmonia com ela, tiram seu sustento e mantém sua cultura viva, sabem que não falta nada a um povo que não explora, mas que conflui com a natureza. Com discurso de avanço, o capital vêm fazendo a floresta sangrar e folclorizando existências  sagradas. Contudo, nossa força da tecnologia ancestral, segura, filtra e fortalece o inquebrável: nosso envolvimento!

Nome da obra: “Do outro lado, envolvimento.”

Página do Instagram : @crochenarua

Áreas Livres de Petróleo

Artista: Moa Freitas

Na obra, destaca-se espécies da nossa biodiversidade, com a frase: áreas livres de petróleo.  Da artista cicloartivista Moema Freitas, que usa a serigrafia como suporte para estampar camisas e faixas no que chama de intervenção ambiental crítica.

  • Serigrafia sobre algodão cru.
  • Nome da obra: áreas livres de petróleo.2025
  • Página do Instagram: sereias_toxicas

A tristeza do despertar

Artista: Rian Melo

Um peixe observa o mundo secar, enquanto a sede das cidades transforma a essência em combustível. Inspirada pela crise ambiental, a obra denuncia a cegueira diante do colapso ecológico.

@plantesalsa 

Escuta a Terra, não ao petróleo!

Artista: Vera Lúcia Domingos de Melo

Mulher afro-indígena, mãe, agricultora rural agroecológica, ativista antirracista, antissexista, feminista, educadora popular, contista, artista plástica, defensora dos Direitos Humanos, meio ambiente e da causa animal. Afirmo que o território é sustento e vida. Tenho o corpo marcado pela luta, transformor a dor em força e a perseguição em coragem. Acredito na arte como cura, como ato político e como resistência. Na minha vida carrego a minha ancestralidade e o poder de quem resiste, trago cura e reinvento o mundo todos os dias.

Sou mulher-território, mulher-terra, mulher vida.
@veradomingos

Poesia


Slam Antipetroleiro

Ei, você aí,
que chama petróleo de progresso,
me diz: progresso pra quem?
Pro peixe morto?
Pro rio envenenado?
Pro pulmão sufocado da criança que respira fumaça?

Petróleo é corrente invisível,
é grilhões de asfalto,
é promessa vazia vendida em barril.
Eles falam em desenvolvimento,
mas é desenvolvimento de quê?
De catástrofe?
De silêncio no canto dos pássaros?
De mares que choram óleo e fogo?

Eu digo NÃO!
Não à riqueza suja,
não ao futuro que escorre preto,
não ao lucro que mata em nome de poucos.

O que eu quero é vento livre,
sol queimando sem culpa,
mar limpo,
terra viva,
gente sorrindo sem medo da fumaça.

Porque petróleo não é futuro,
petróleo é cadeia,
petróleo é veneno,
petróleo é morte!

E a nossa luta…
É pela VIDA que insiste,
resiste,
e grita mais alto que qualquer chaminé.
autora; AGATHA BENKS artista afro, ativista dos direitos humanos e artivista ambiental da
campanha nem um poço mais no ES.

Agatha Benks

Eu AGATHA BENKS artivista ambiental e dos direitos humanos nascida em Cachoeiro de Itapemirim ES, ativista ativa na campanha nem um poço, estou muito feliz em ser umas das pessoas contempladas no edital com a obra;

SLAM ANTI PETROLEIRO. CRIADA PARA FAZER UMA ALTO CRÍTICA E DENUNCIA ATRAVÉS DO ARTIVISMO AMBIENTAL O SISTEMA CAPITALISTA DA DESTRUIÇÃO AMBIENTAL ” progresso pra quem “.?

Rede: https://www.instagram.com/agatha.benks?igsh=MW9kZGZxZGF1a2YybQ==


Cordel da Resistência Antipetroleira

Sou da quebrada, meu canto
Vem da roda de capoeira,
Sou artista, sou quilombo,
Voz firme, justa e guerreira.
Na ginga eu planto futuro:
Nem um poço a mais, companheira!

O petróleo é chama mortífera,
Que engole rio e floresta,
Envenena o corpo do povo,
Apodrece a própria festa.
Mas a vida pede outro chão,
Energia que seja honesta.

Nego Bispo já nos fala
Do território encantado,
Que não cabe em cifras frias
Nem no lucro calculado.
É saber de tradição,
É raiz de povoado.

Krenak clama em sua voz:
“Sonhar é nossa ciência.”
Sem petróleo e mineração
Há futuro e resistência.
A terra é mãe generosa,
Não suporta a violência.

O Raoni, cacique altivo,
Com coragem nos conduz,
Defendendo a Amazônia,
Levanta o arco da luz.
Mostra ao mundo que é possível
Um planeta que reluz.

Oxóssi, caçador santo,
Guarda as matas, o alimento.
Sua flecha é soberana,
Traz fartura e ensinamento.
Nos protege nesta lida,
Nos sustenta no momento.

Eu digo em minha poesia:
A energia tem de mudar,
Com respeito às comunidades
Que só pedem pra ficar.

Sol e vento são caminhos
De um Brasil pra se encantar.

Não aceito mais despejo,
Não aceito exploração,
Quero vida em abundância,
Quero o povo em comunhão.
Que o amanhã seja semente,
Não fumaça de destruição.

Autor: Guto de Oliveira

Gutemberg Gomes de Oliveira

Cordel da Resistência Antipetroleira

@cprisoflora


Oração Antipetroleira

Ivny Matos

Ivny Matos é multiartista, mãe, produtora e ativista cultural e ambiental. Tem na poesia uma de suas expressões mais genuínas. Acredita na revolução diária dos versos como armas subjetivas na luta pela salvação do planeta.

Perfis no Instagram:

@ivnymatos

@donamusica

 


Seres Hesitantes

Contra os que vasculham
os territórios
os maretórios
a atmosfera

Remexem as entranhas da terra,
atrás do visgo fóssil,
que libera a energia
ancestralmente guardada

E …

Penetram, penetram, penetram …

A cada gota extraída
A cada fumaça emanada
Interrompem fluxos de vida
Sufocam existências

esquentam, acidificam, esfumaçam, intoxicam

E pintam de verde
Infernalmente propõem …
A solução, a salvação
Mudam para não mudar

Hesitam os (re)existentes
Seus olhos marejados
Suas vidas ameaçadas

De mãos dadas
Pés firmes
Trilham o esperançar

A vida é fluxo
Alternância
Composição

Contra a extração
A expropriação
A cooptação
O vil interesse

Erguem o céu
Com punhos cerrados
Sorriso no olhar
Brilho no rosto
Pois a vida pulsa

A vida …
É fluxo
É encontro
É coletividade
É comunidade

É …
Hesitar
Contra o sintético

Compor…
Com o orgânico
Gotas de esperança transbordam
de comunidades hesitantes

Seres hesitantes
Nenhum poço a mais!
Nenhuma gota a mais!

Simone Benevento Mota

Esta poesia nasceu do trabalho de campo realizado em Jaconé, durante o intercâmbio de pescadores da América Latina sobre os impactos do petróleo offshore. Como doutoranda em Meio Ambiente (PPGMA-UERJ) e pesquisadora do Laboratório Përɨsɨ (UFF), investigo na tese “Cosmopolítica do carbono: tecer alianças na catástrofe” os movimentos de hesitação e resistência que emergem dessas vivências.

Instagram: @laboratorio_perisi_uff e @simonebeneventomota


Terra que Sangra

Debaixo do asfalto, o grito, abafado.

No peito da mata, um rio envenenado.

Prometem progresso, entregam veneno,

Tiram raiz pra plantar um inferno.

Do alto, eles veem lucro e poder,

De baixo, a gente vê tudo morrer.

Peixe que some, criança doente,

Barraco molhado, futuro ausente.

Mas quem vive a terra conhece o sinal,

Não há máquina que cale o ancestral.

Na tinta do rosto, no traço da mão,

Rebenta a verdade em forma de canção.

Não viemos pra cena, viemos pra rua,

Na pele marcada, a arte é nua.

Não se veste de gala, nem de ilusão,

Se pinta de barro, se arma em união.

Petróleo que jorra é lágrima preta,

Território vendido não vira colheita.

Somos quilombo, somos maré,

Somos o grito de quem fica em pé.

Thalita Nascimento Cassiano
@thalita_cassian