Carta Política do 10º Seminário Nacional Campanha “Nem Um Poço a Mais”

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Campanha Antipetroleira “Nem um poço a mais!” Vila do Pesqueiro, Soure, Marajó Pará/Brasil 9 a 15 de Novembro 2025 Reunida em nosso 10º. Seminário Nacional, em paralelo à COP 30 de Belém, a Campanha Antipetroleira “Nem um poço a mais!” conclama as comunidades de pesca artesanal, quilombolas, a população marajoara, a sociedade paraense e as[...]

27 de novembro de 2025
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Campanha Antipetroleira “Nem um poço a mais!”
Vila do Pesqueiro, Soure, Marajó
Pará/Brasil
9 a 15 de Novembro 2025

Reunida em nosso 10º. Seminário Nacional, em paralelo à COP 30 de Belém, a Campanha Antipetroleira
“Nem um poço a mais!” conclama as comunidades de pesca artesanal, quilombolas, a população
marajoara, a sociedade paraense e as organizações da sociedade civil latino-americana para o
enfrentamento da instalação da indústria petroleira na Foz do Amazonas. Uma luta da vida, contra a morte.
Lula, vai repetir a tragédia petroleira na Foz do rio Amazonas?

Em toda América Latina, em terra ou no mar, na Amazônia, na Costa Atlântica ou no Pacífico, por onde se
instalou, a indústria petroleira contaminou a natureza e destruiu as comunidades. Na Argentina, no Brasil,
no Equador, no Peru, na Colômbia e no Mexico. Praias, baías, restingas, mangues, rios, florestas, os
territórios foram desaparecendo da paisagem, dando lugar a portos, dutos, terminais de gás e de óleo,
refinarias, estaleiros navais, poços, plataformas.

No Brasil, foi assim também na Baía de Guanabara, no litoral Sul do Espírito Santo, no Norte do Rio de
Janeiro e de São Paulo, a região do pré-sal, nas bacias de Campos e de Santos. Foi assim no entorno do
Porto de Suape, em Pernambuco, na Ilha de Maré e no Recôncavo, na Bahia, em Carmópolis e Barra dos
Coqueiros em Sergipe, em Itacoatiara no Amazonas. As condicionantes nunca condicionaram. As
compensações não compensaram. As reparações nunca repararam.

Com absoluta indignação e senso de responsabilidade histórica, a Campanha Nem um Poço a mais
responsabiliza diretamente o governo Lula pela liberação da exploração de petróleo na Foz do Rio
Amazonas. É uma contradição brutal e inaceitável que um governo que se diz comprometido com a pauta
ambiental e climática seja o mesmo que, na prática, autoriza e impulsiona a abertura de uma nova fronteira
petroleira em um dos biomas mais sensíveis e críticos para o equilíbrio do planeta. Esta licença é um ato
de traição às populações tradicionais, à Amazônia e à luta global contra mudanças climáticas.
Basta de indústria petroleira!

Principal responsável pelo aquecimento global, a indústria petroleira precisa ser detida. Seja na extração
ou no transporte, no armazenamento ou no refino, seja no descarte de cada um de seus derivados, a
indústria petroleira é a maior poluidora do planeta. Sem prevenção, contamina as águas, o ar e a terra.
Sem precaução, intoxica os corpos e explora o trabalho. É a principal responsável pelo colapso da vida e
da natureza. Sua expansão precisa ser barrada.

Estados que promovem a indústria petroleira, e empresas como Chevron, Total, Shell, Repsol, PDVSA,
YPF, Petrobras, Equinor, Eneva, Petroecuador e Petroperu, Enel, o Portos de Suape e do Açu, o Porto
Central, a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), entre outras, devem ser responsabilizadas. Devem
reparar os povos, comunidades, famílias e toda a natureza devastada por suas operações e políticas
criminosas.

Cuidado! Atenção! Não se deixe enganar.

A COP de Belém é mais um fracasso planejado. Não foi organizada para proteger as comunidades, ou
para preservar a natureza. Nem para enfrentar a crise climática, a devastação das florestas, rios e mares.
Também nada tem a oferecer para a construção de sociedades pós-petroleiras.

Coordenada pelas mesmas elites políticas e econômicas que ocupam a burocracia dos Estados,
legitimada por tecnocratas subordinados aos interesses das empresas, blindada pelo fortíssimo lobby das
petroleiras, a COP 30 é mais do mesmo. Pura farsa, a serviço do lucro das corporações, da concentração
de terra, renda e de poder. Um mercado de negócios do clima, uma arena de manipulação de consenso e
articulação de hegemonia política, impenetrável para a crítica da sociedade civil em geral e para a
participação dos povos e comunidades tradicionais em particular.

A COP 30 é uma grande propaganda verde. Desfoca os olhares, distrai a escuta, desvia a atenção da
sociedade daquilo que realmente importa, do que é decisivo, urgente e necessário: “Barrar a expansão da
indústria extrativa”, “Deixar o petróleo no subsolo”, “Redistribuir terra, renda, poder”. “Fazer decrescer a
civilização petroleira, do plástico e dos agrotóxicos, dos automóveis e navios, dos tanques, tratores e
aviões, dos combustíveis fósseis”. Mas nada disso se trata, na COP 30 de Belém.

Ao contrário, a Conferência dos Estados e Corporações Petroleiras apenas oferece falsas soluções de
mercado para o aquecimento global, como as hidroelétricas, os latifúndios de eólicas e placas solares, os
monocultivos de cana, soja, eucalipto, até mesmo o gás fóssil. Enquanto isso a COP 30 justifica e planeja
mais um novo ciclo de expansão da civilização petroleira. Nada de reforma agrária, de titulação dos
territórios tradicionais. Nada de direitos humanos ou reparações históricas. Nada para as mulheres negras,
pescadoras. Nada para a população LGBTQIPN+. Nada para as periferias dos distritos industriais e
portuários. Nada de direitos da natureza. Nada contra o Estado de Israel e seu genocídio contra o povo
palestino. A indústria petroleira continua abastecendo os aviões e tanques que bombardeiam Gaza.

Exigimos a revogação imediata de qualquer licença para a indústria petroleira, seja na Foz do Rio
Amazonas, seja em qualquer parte do território brasileiro.

Exigimos que se feche os poços maduros e se repare as famílias, comunidades e a natureza.

Exigimos a reforma agrária, a titulação e demarcação dos territórios tradicionais, a valorização das
comunidades camponesas, a recuperação das águas, das florestas e mangues.

Petróleo e mineria a mesma porqueria.

BAIXE A CARTA AQUI

 

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